Inquérito sorológico para leptospirose em tamanduás das regiões do Pantanal e Cerrado, Brasil

Inquérito sorológico para leptospirose em tamanduás das regiões do Pantanal e Cerrado, Brasil

Pedro Enrique Navas SuárezEl Gaff

Gislaine Taimara Dalazen, Débora Regina Yogui, Mario Henrique Alves, Antonio Francisco de Souza Filho, Danilo Kluyber, Arnaud Desbiez, Pedro Enrique Navas Suárez, Marco Aurélio Gattamorta, Marcos Bryan Heinemann, Eliana Reiko Matushima

As bactérias do gênero <em>Leptospira</em> podem causar doença aguda ou crônica nos seres humanos, animais domésticos e silvestres, podendo apresentar comprometimento renal, hepático, pulmonar ou reprodutivo. A vigilância de agentes infecciosos é de grande relevância tanto do ponto de vista da Conservação quanto para a Saúde pública, pois fornece informações acerca de possíveis mudanças nos padrões de transmissão e detecção precoce de surtos. Investigações anteriores demonstraram a exposição de <em>Myrmecophaga tridactyla</em> à <em>Leptospira interrogans</em> e há relato de um indivíduo de <em>M. tridactyla</em> em cativeiro que apresentou sinais clínicos compatíveis com leptospirose. Nesse contexto, o presente estudo teve por objetivo determinar a prevalência de anticorpos anti-<em>L. interrogans</em> em amostras de soro de tamanduás de vida livre de dois biomas brasileiros, Pantanal e Cerrado. Foram testados 48 indivíduos, 11 <em>M. tridactyla</em> e três <em>Tamandua tetradactyla</em> da região do Pantanal, e 34 <em>M. tridactyla</em> do Cerrado pelo teste de Aglutinação Microscópica (SAM). Nove animais apresentaram anticorpos anti-<em>L. interrogans</em>. Os sorovares encontrados foram Cynopteri, Ichterhaemorrhagiae, Grippotyphosa e Pomona, com títulos variando de 100 a 12.800. A prevalência para os tamanduás do Cerrado foi de 17,6% (6/34), enquanto os animais do Pantanal apresentaram 18,2% (2/11) para <em>M. tridactyla</em> e 33,3% (1/3) para <em>T. tetradactyla</em>. Um indivíduo de <em>M. tridactyla</em> do Cerrado apresentou titulação alta para o sorovar Cynopteri (12.800), indicando contato recente com o agente. Todos os tamanduás testados no presente estudo não apresentavam sinais clínicos de leptospirose no momento da captura. Os resultados obtidos contribuem para o conhecimento dos sorovares circulantes em tamanduás nesses biomas. Reforçamos a importância da vigilância desse patógeno em populações de vida livre.

Mar 12:00 am - 12:00 am
Agentes infecciosos y no infecciosos en fauna silvestre

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