Fratura da sínfise mandibular em veado-catingueiro (Mazama gouazoubira)

Luis Orlando Baselly Cueva, Fernanda Mara Aragão Macedo Pereira, Laynara Silva dos Santos, Silvia Eugenia Vargas Mora, Monique Rusch Rossato, Sheila Canavesse Rajal

Devido à sua natureza agitada, a manutenção de cervídeos em cativeiro é desafiadora, sendo comuns erros de manejo e acidentes, que podem levar o animal à morte. A maioria das intervenções cirúrgicas decorre de traumatismos causados por este perfil comportamental, sendo a face, principalmente em região mandibular, comumente afetada. O presente trabalho descreve o caso clínico de um veado-catingueiro (Mazama gouazoubira), macho, 2 anos de idade, pesando 22.5 kg, apresentando sialorreia, má oclusão rostral, anorexia e instabilidade mandibular, com diagnóstico clínico e radiográfico de disjunção na região sinfisária. O animal foi anestesiado com cetamina 5 mg.kg-1, dexmedetomidina 0.02 mg.kg-1, midazolam 0.25 mg.kg-1 e butorfanol 0.1 mg.kg-1, IM. Em seguida, realizou-se lavagem e limpeza bucal com solução salina 0.9%, clorexidina 2% e álcool 70%. Realizou-se duas cerclagens circunferenciais na mandíbula, paralelas, submucosas, em região caudal aos caninos, com fios de aço 0.6 mm. Tratou-se a ferida com solução salina e pomada de sulfadiazina de prata 1% BID até cicatrização. O animal foi medicado com meloxicam 0.2 mg.kg-1 SID e tramadol 3 mg.kg-1 BID, VO por 3 dias.  Após, foi administrada amoxicilina com ácido clavulânico 15 mg.kg-1 BID por 14 dias, e meloxicam SID por 5 dias, VO. Foi administrada dieta pastosa, BID por 7 dias, ingerida espontaneamente. O veado foi reavaliado semanalmente até 2 meses após a cirurgia, quando foi retirado o fio de aço após consolidação. Os sinais clínicos observados condizem com o descrito em literatura tanto para ruminantes domésticos quanto para pequenos animais de companhia. Apesar da falta da ancoragem interdentária caudal aos caninos como é conseguida em cães e gatos, devido ao diastema entre os caninos e os pré-molares, não foi observada movimentação da cerclagem, perda da estabilidade ou demais complicações. Tal técnica foi considerada satisfatória, promovendo adequada estabilização da região inter-mandibular e plena recuperação do paciente.

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