Evidência de lesão neurológica por Chelonid alphaherpesvirus 5 (ChHV5) em tartaruga-verde (Chelonia mydas), no Brasil.

Evidência de lesão neurológica por Chelonid alphaherpesvirus 5 (ChHV5) em tartaruga-verde (Chelonia mydas), no Brasil.

Roberta Ramblas ZamanaWilk

Roberta Ramblas Zamana, Marco Aurélio Gattamorta, Pedro Enrique Navas-Suárez, Isabela Santos Silva, Daniel Wagner Rogério, Camila Trentin Cegoni, Isabela Moreira Neto, Eliana Reiko Matushima

O Chelonid alphaherpesvirus 5 (ChHV5) é considerado o agente etiológico primário da fibropapilomatose (FP), uma enfermidade debilitante, infectante e de ocorrência circuntropical, reportada em todas as espécies de tartarugas-marinhas. Aspectos da  biologia do ChHV5, particularmente associados aos mecanismos de dispersão, diferentes manifestações clínicas e potencial associação à lesões em tecidos, como rins e pulmões vem sendo recentemente elucidados, bem como sua detecção em tecidos clinicamente sadios, sugerindo mecanismos de latência, característico de demais alphaherpesvirus, como observado em equinos (EHV-1) e bovinos (BoHV-5), particularmente em sistema nervoso, onde podem causar quadros clínicos severos, como encefalites, em casos de reativação viral. Com objetivo de compreender a biologia e o mecanismo de latência do ChHV5, amostra de cérebro coletada e fixada em formol a 10%, durante exame necroscópico de uma tartaruga-verde (Chelonia mydas), procedente do Centro de Visitação do Projeto TAMAR- Florianópolis-SC, foi submetida à avaliação histopatológica e molecular no Laboratório de Patologia Experimental e Comparada de Animais Selvagens (LAPCOM) da Universidade de São Paulo (USP). Na microscopia, observou-se a presença de múltiplos focos de leve manguito perivascular linfocítico e histiocítico, sugestivo de encefalite por infecção viral. Molecularmente o ChHV5 foi detectado por PCR convencional e confirmado por sequenciamento de Sanger, com base no gene UL-18 (glicoproteína de capsídeo), a partir da extração de DNA de material parafinado. Estes achados possibilitam levantar novas hipóteses sobre outras possíveis manifestações clínicas do ChHV5, apontar para os mecanismos de latência ou neurotropismo e, desta forma, propor uma avaliação mais detalhada das possíveis outras manifestações clínicas causadas por este alphaherpesvirus. Considerando o ChHV5 e suas implicações nas tartarugas-verdes (Chelonia mydas), um fator preocupante para a conservação desta espécie, uma vez que, recentes estudos em várias regiões geográficas têm demonstrado altas prevalências de indivíduos portadores deste agente. Palavras-chave: Fibropapilomatose, Herpesvirus, Latência, Neurotropismo, Tartarugas-marinhas.

Mar 12:00 am - 12:00 am
Agentes infecciosos y no infecciosos en fauna silvestre

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